Na terça-feira, o par EUR/USD reverteu em favor do euro, e os compradores vêm atacando há dois dias consecutivos. O início da nova semana foi totalmente dominado pelos compradores, já que vários eventos importantes apoiaram a alta do euro e da libra. Primeiramente, Donald Trump voltou a falar na segunda-feira sobre a possibilidade de um acordo com o Irã que poderia ser alcançado em breve, além do fim da guerra. No mesmo dia, Jerome Powell afirmou que o FOMC não considera apertar a política monetária em meio à pressão inflacionária causada pelos eventos no Oriente Médio.
Ontem, também foi divulgado que o presidente iraniano Masoud Pezeshkian está, em geral, disposto a aceitar um cessar-fogo, desde que seu país receba garantias de segurança. Assim, dois importantes fatores geopolíticos e um fator monetário atuaram contra os vendedores. Além disso, na terça-feira foi divulgado que a inflação na Zona do Euro subiu para 2,5%, aumentando a probabilidade de um aperto monetário pelo Banco Central Europeu (ECB) já em abril. Esse é o quarto fator que sustenta a alta do par.

Todo o movimento de alta do dólar americano nas últimas 4–5 semanas foi impulsionado pela geopolítica. Tenho afirmado repetidamente que não acredito no fim da tendência de alta, apesar do rompimento de mínimas importantes que sustentavam essa tendência. Recentemente, não foram formados sinais claros de negociação. O movimento dos últimos dois meses pode evoluir para uma tendência de baixa caso a geopolítica continue a favorecer fortemente o dólar. No entanto, neste momento, ainda duvido da capacidade dos vendedores de sustentar um movimento prolongado, especialmente considerando os últimos desdobramentos geopolíticos.
Uma nova valorização do dólar é possível se a geopolítica continuar favorecendo os vendedores. E, como já mencionei, isso exigiria que a situação no Oriente Médio não apenas permanecesse tensa, mas se agravasse ainda mais.
O cenário técnico começa a se transformar e está ficando bastante interessante. Em primeiro lugar, os preços em todos os pares estão se movendo em direção ao desequilíbrio "de baixa" 11 e podem reagir a ele. Essa seria a segunda reação, que pode ser mais fraca ou até não ocorrer. No entanto, vale lembrar que a tendência de alta ainda permanece, e, próximo ao desequilíbrio 11, pode surgir apenas um sinal de venda.
Além disso, um desequilíbrio "de alta" pode se formar esta semana, a partir do qual sinais de compra poderão surgir posteriormente — e, na minha visão, continuam sendo mais atrativos. Outro ponto importante são as possíveis capturas de liquidez dos dois últimos movimentos de alta, que podem coincidir com a reação ao desequilíbrio 11.
Assim, ainda é cedo para afirmar que os compradores iniciaram uma ofensiva completa, mas essa possibilidade existe. O fator-chave será a eventual concretização de um cessar-fogo entre Washington e Teerã.
O cenário de notícias na quarta-feira poderia ter criado obstáculos para os compradores, mas o mercado praticamente ignorou a taxa de desemprego da Zona do Euro, que subiu para 6,2%. Os compradores também poderiam ter enfrentado dificuldades com o relatório ADP, que superou as expectativas — 62 mil contra previsão de 40 mil. As vendas no varejo cresceram 0,6%, também acima das expectativas do mercado. Mais tarde, será divulgado o índice ISM industrial.
Ainda há diversos fatores que sustentam o avanço dos compradores, e nem mesmo o início do conflito no Oriente Médio reduziu esse suporte. Do ponto de vista estrutural e global, as políticas de Donald Trump — que levaram a uma forte queda do dólar no ano passado — não mudaram.
No curto prazo, a moeda americana pode se fortalecer devido à busca por segurança, mas esse fator não pode sustentá-la indefinidamente e exige uma escalada contínua do conflito no Oriente Médio. Não há outros fatores relevantes de suporte ao dólar. Ainda não vejo uma tendência de baixa. O dólar recebeu um suporte temporário, mas o que permitirá que os vendedores continuem avançando?
Calendário de notícias para os EUA e a zona do euro:
- EUA – Pedidos iniciais de seguro-desemprego (12h30 UTC)
No dia 2 de abril, o calendário econômico contém apenas um evento. O impacto dessas notícias sobre o sentimento do mercado nesta quinta-feira pode ser extremamente fraco ou inexistente.
Previsão para o EUR/USD e dicas para traders:
Na minha opinião, o par continua em fase de formação de uma tendência de alta. O cenário de notícias mudou drasticamente há quatro semanas, mas a tendência em si ainda não pode ser considerada totalmente anulada ou concluída. Portanto, os traders precisam de novos padrões e sinais no curto prazo para formular projeções e abrir posições.
No curto prazo, os vendedores podem receber um sinal próximo ao desequilíbrio 11, mas, se a situação geopolítica não se agravar, esse sinal pode não se concretizar. Os compradores, por sua vez, devem aguardar a formação de padrões de alta e novos sinais de compra. Isso pode ocorrer já nesta semana.